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Profissionais argumentam sobre a questão sacolinhas x meio ambiente

Adriel Arvolea
Uns defendem que a sacola plástica representa somente 0,2% do resíduo sólido coletado no país, o que não pode ser considerado um agente poluidor. Quanto à reutilizável, grupos alegam que não é produzida no Brasil e é importada de países com baixa mão de obra. Além disso, não haveria vantagens na substituição, com o fechamento de postos de trabalho no setor. E a biodegradável só se decompõe em usina de compostagem, que não existe no Brasil.

Nesse sentido, o Jornal Cidade reuniu profissionais ligados à área ambiental para opinarem sobre a polêmica envolvendo a substituição das sacolinhas plásticas dos supermercados por reutilizáveis/ biodegradáveis, expondo argumentos favoráveis ou não à mudança. Confira, a seguir, as argumentações:


Marcela Ferreira Murakami - mestre em Engenharia Urbana pela UFSCar e engenheira ambiental pela Unesp

“Eu não acredito que a proibição das sacolinhas plásticas seja a melhor saída. Em termos de impacto ambiental, o problema não ocorre porque elas existem, mas sim porque a população as utiliza de forma errada. A meu ver, a melhor saída é incentivarmos o uso das sacolas reutilizáveis sim, mas termos, também, as plásticas biodegradáveis como opção. Se a ideia é fazer valer o princípio dos 3R’s (Reduzir, Reciclar, Reutilizar), que tal se aliada a essa discussão das sacolinhas houvesse uma análise sobre a importância da reciclagem? A vida útil dos aterros sanitários está intimamente ligada à quantidade de resíduos que para lá destinamos. Então, o que prejudica mais: a sacolinha na qual colocamos nosso lixo ou o que a gente tem considerado ser lixo? Sempre defendi a existência de sacolinhas plásticas produzidas em duas cores distintas. Daí, com um pouquinho de boa vontade, as pessoas separariam seus resíduos em casa, colocando os recicláveis na sacolinha de uma determinada cor (verde, por exemplo) e o restante dos resíduos na de outra cor. Quando o caminhão de lixo passasse, os coletores pegariam apenas as sacolas da cor referente ao material que deveria ir para o aterro. Então, num outro momento, o pessoal da reciclagem passaria e faria sua coleta. Mas isso depende demais da conscientização das pessoas, o que é algo muito difícil. Hoje em dia, só dão atenção para o que mexe com o bolso. A conscientização e a educação ambiental desde a infância são a chave para alcançarmos o famoso ‘desenvolvimento sustentável’ que todos falam.”

Caroline Cristina Zaros - engenheira ambiental formada pela Unesp

“Acredito que extinguir ou proibir o uso das sacolas plásticas nos estabelecimentos não resolve o problema ambiental existente. O uso de sacolas retornáveis ou biodegradáveis seria, sim, uma boa saída, desde que o governo aumentasse a promoção da ideia e incentivasse a conscientização da população por meio de recompensas simbólicas, descontos, campanhas que mostrassem as vantagens da substituição do produto, entre outros, não simplesmente pelo fato de que o atual produto é prejudicial ao meio ambiente, mas sim pelos problemas que o uso excessivo desse material produz. O governo não deve, simplesmente, realizar essa troca sem ter uma garantia concreta de que essa substituição é válida, visto que grande parte dos materiais biodegradáveis, ainda, está em fase de estudos e análises quanto à sua viabilidade econômica, ambiental e produtiva. Parte desse material já está sendo produzido no Brasil, porém seu custo é mais elevado e não há a garantia de 100% de que ele, realmente, seja um produto inerte ao meio ambiente.”


Felipe Mangili Lara - engenheiro ambiental formado pela Unesp

“É de consenso de muitos que sacolas plásticas não são as verdadeiras causadoras de impacto ambiental. O problema reside no desperdício que gera o descarte incorreto. Um dos argumentos mais fortes, e “ambientalmente corretos”, daqueles que são contrários à proibição das sacolinhas está no fato da sua reutilização no armazenamento de lixo doméstico. Cabe ressaltar que, ao reutilizar as sacolinhas, embora esteja sendo praticado o segundo R, não deve ser promovida mais e mais sua produção, na certeza falsa de que se está protegendo o meio ambiente justamente com a desculpa de sua reutilização, pois, como é do senso comum, a melhor forma de resolver um problema é evitar o seu aparecimento, reduzindo-o. Além disso, do ponto de vista ambiental, a utilização desse tipo de sacolinha para armazenamento de resíduos é inadequada, principalmente devido à sua fragilidade, que faz com a mesma se rompa facilmente. Para este tipo de uso, o Inmetro e os serviços de coleta de lixo municipais indicam o saco plástico próprio para acondicionamento de lixo. Esse saco é produzido com plástico reciclado e tem a resistência adequada para evitar o rompimento em sua destinação final.”


Marcos Fernandes Gaspar - presidente da Organização MiraTerra

“Em pouco tempo, o mercado voltará a ter as sacolas plásticas, só que somente as biodegradáveis e compostáveis, que não agridem o ambiente. Independente do percentual, a sacola plástica é um agente poluidor e um produto extremamente nocivo à vida útil dos aterros. No entanto, o que temos são interesses puramente econômicos corporativos de um segmento. Em toda essa história, o vilão é o homem, que não dá o devido descarte a seus resíduos. No impasse envolvendo a substituição ou não das sacolas plásticas, destaco os produtos de plástico ‘verde’, longe de ser apenas um ideal, que estão em fabricação no Brasil. São rapidamente absorvidos na natureza e, em alguns casos, podem até servir de adubo e alimentação animal.”


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