Lumavale Reciclagem

Refugiados Climaticos

Pode-se ou não concordar com James Lovelock, sua teoria da Terra como um organismo vivo e suas posições favoráveis sobre a energia nuclear, céticas sobre as chamadas fontes renováveis no combate ao aquecimento global e críticas sobre o movimento verde.

Mas em Gaia: Alerta Final (Ed. Intrínseca), o cientista inglês, do alto de seus 90 anos e disposto a embarcar neste ano na viagem espacial que inaugura a companhia Virgin Galactic, traz argumentos bem construídos em um texto provocador e envolvente neste livro lançado no começo do ano.

A começar das críticas que faz ao consenso do IPCC, o Painel Intergovernamental sobre Mudança Climática, formado por cientistas do mundo todo - e que justamente tem sido alvo de desconfianças no tocante a algumas de suas conclusões e previsões.

A crítica que Lovelock especialmente faz ao painel é o abrandamento no tom ao se divulgar as conseqüências do aquecimento global - segundo ele, maiores e mais graves do que tudo aquilo que vem sendo mostrado à sociedade.

A própria ideia de um consenso, moldado a interesses políticos e econômicos como os da indústria do petróleo, não faz sentido no ambiente científico, defende ele: "Ciência tem a ver com verdade e deve ser inteiramente indiferente à justiça ou à conveniência política." Para emendar logo depois: "Dizem que a verdade é a primeira vítima da guerra, e parece que isso vale também para a mudança climática."

Outra crítica é a de que os modelos climáticos são construídos com base na Terra como um planeta inerte, e não vivo, como sustenta a sua Teoria de Gaia. "A maioria dos modelos de mudança climática, por exemplo, não inclui a resposta fisiológica dos ecossistemas do solo ou dos oceanos (à mudança do clima)." Ou seja, a sua capacidade de auto-regulação.

E dado que a situação é pior que se imagina e será impossível manter o planeta tal qual o conhecemos, Lovelock faz recomendações urgentes: adotar políticas para se adaptar a uma Terra mais quente, buscar energia na fonte nuclear (uma vez que segundo ele fontes como a eólica e a solar não darão conta de toda a escala necessária, no tempo necessário, e a nuclear seria mais segura do que apregoa a mídia e os ambientalistas), desenvolver formas eficientes de seqüestro de carbono potencializando a capacidade de resposta da Terra, e atacar de frente a questão populacional.

"Com a ciência e a tecnologia atuais (...), demonstramos que 7 bilhões (de habitantes na Terra) são possíveis por um curto período. Mas quantos proporcionariam equilíbrio numa Terra 4ºC mais quente que agora?" E considerando que os 7 bilhões buscam um padrão de vida e de consumo similar ao do Primeiro Mundo?

Mas talvez a maior das recomendações seja encarar de frente a gravidade da situação e parar com a balela verde de "salvar o planeta". Como sistema vivo, ela é capaz de salvar a si mesma, e agora mesmo está começando a fazê-lo, mudando para um estado bem menos favorável a nós e outros animais.

Assim, a questão para nós é a sobrevivência humana diante da menor oferta de água, de alimentos, a maior ocorrência de desastres naturais e as disputas crescentes por espaço e recursos, em um contexto de desigualdades sociais acirradas e movimentos de refugiados ambientais. Chega-se aí, então, a uma enorme questão ética.

"Nosso primeiro imperativo é sobreviver, mas logo enfrentaremos a horripilante pergunta sobre quem poderemos deixar a bordo dos botes salva-vidas. E quem devemos rejeitar. Não haverá como se esquivar dessa pergunta, pois em pouco tempo haverá um grande clamor dos refugiados climáticos em busca de um porto seguro naquelas poucas áreas onde o clima é tolerável e há comida disponível. (...) Precisaremos de um conjunto de regras para os oásis climáticos."

Mas Lovelock também pinta uma oportunidade para nós, seres humanos, de sermos os progenitores de um animal muito melhor em nossa história evolutiva, em vez de retrocedermos a "um aglomerado de tribos guerreiras." Conforme diz ele, somos uma espécie capaz de pensar, comunicar e guardar pensamentos e experiências. Como parte de Gaia, nossa presença começa a tornar o planeta mais consciente.


Índice
Responsabilidade Ambiental

LUMAVALE Reciclagem - Todos os direitos reservados

Av. Leonor de Almeida Ribeiro Souto, n° 59 - CEP: 12239-050
Pq. Residencial União - SJCampos - SP
Tel: +55 (12) 3903-9090 - Fax: (12) 3903-9091

EmpresasVALE       Sites & Cia