“Nós somos mais ou menos como uma tartaruga. Ela anda, mas em qual velocidade?”, disse Luiz Gonzaga Alves Pereira, presidente da Loga Logística Ambiental, ao comentar o comportamento da sociedade diante da problemática do lixo. Esse comentário surgiu num debate realizado pelo jornal O Estado de S. Paulo na última quinta-feira, no teatro da Livraria Cultura do Conjunto Nacional.
No debate, também estavam presentes o jornalista Denis Russo Bugierman e Sérgio Luiz Mendonça Alves, Secretário Adjunto e Diretor do Limpurb (Departamento de Limpeza Urbana). “Lixo – nova legislação e coleta seletiva” foi o tema discutido.
Após 19 anos, a Política Nacional de Resíduos Sólidos foi aprovada no Senado. A falta de regulação no setor faz com que aproximadamente R$ 8 bilhões vão para o lixo anualmente – e literalmente. Este montante é perdido com o material reciclável não aproveitado.
Cerca de 17 mil toneladas de lixo são coletadas por dia em São Paulo. Durante o debate, Denis mencionou uma comparação impressionante: os dois grandes aterros sanitários de São Paulo correspondem à área de 270 estádios do Maracanã. “A gente não vê os aterros. Devia ser obrigatório para um cidadão de São Paulo visitá-los pelo menos uma vez. Há lagoas de chorume nesses lugares”.
Ele morou algum tempo na Califórnia, onde era multado se separasse o lixo de forma errada. “Como cidadãos, precisamos ser responsabilizados pelo lixo. Se produzimos menos lixo, merecemos algum benefício. Se produzimos mais, merecemos ser penalizados de algum jeito”, contou.
Em alguns países, o descarte do lixo exige determinados tipos de sacos. Como eles são caros, é como se um imposto fosse cobrado pela quantidade de resíduos produzida. Em Nova Iorque, as lixeiras públicas não devem ser usadas para o lixo residencial. Caso isso seja feito, uma inteligência do lixo envia uma multa ao cidadão fora da lei, com direito a investigadores que abrem os sacos de lixo buscando identificar a pessoa que tentou burlar o sistema.
No centro de Barcelona há várias portinhas nas quais as pessoas jogam seus sacos de resíduos. Estes são sugados à vácuo por tubulações subterrâneas e seguem para uma central na qual toda a separação é feita automaticamente.
“O custo de um sistema desses é elevadíssimo. Podemos fazê-lo? Sim, se o nosso munícipe for responsável o suficiente para contribuir mais. O custo é alto e precisa ser responsabilizado. São Paulo ainda é o 18º país num estudo que comparou o investimento em lixo entre várias cidades”, explicou Sérgio Luis. E Luiz Gonzaga ressaltou: a taxa do lixo não acabou, está apenas suspensa.
Somente 1% do lixo coletado é reciclado, comentou Denis. Além disso, parte do material reciclável é danificado na própria coleta, devido aos caminhões compactadores. Luiz Gonzaga disse que a situação é ainda pior. “Nós da Loga somos responsáveis pela região Noroeste, da Penha ao Butantã. Coletamos em torno de 6 mil toneladas de lixo por dia, mas não chegamos a 2 mil toneladas recicladas por mês”.
Sérgio Luiz afirmou que em menos de um ano conseguirá resolver o problema da coleta seletiva, mencionando a existência de uma sentença judicial que exige essa resolução. Para Denis, o problema envolve uma discussão maior, expressa na seguinte pergunta: qual tipo de cidade São Paulo quer ser no futuro?
Fonte: Revista Mais Cidades
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