Se pela lógica de mercado tudo parece em progresso, para a maioria da população mundial a violência, o desemprego e a proliferação da miséria fazem com que nos deparemos todos os dias com a decadência do capitalismo. Discutir e apontar alternativas para um novo modelo de produção e consumo, centrado na valorização do ser humano e na qualidade de vida, foi objetivo de um painel realizado nesta sexta-feira - último dia da 9ª Expo Brasil Desenvolvimento Local, no Centro de Convenções SulAmérica.
Na avaliação de Ladislau Dowbor, professor de economia e administração da PUC-SP, a concentração de renda e a destruição ambiental são pontos centrais desse debate. “Se os 55 bilhões de dólares do PIB mundial fossem distribuídos igualmente entre toda a nossa população, cada família teria uma renda mensal superior a R$ 6 mil”, pontuou, acrescentando que um dos principais desafios da nossa sociedade é superar a debilidade com que nos acostumamos a reagir a este tipo de desigualdade. “Todos nós estamos convencidos de que precisamos mudar, mas continuamos na mesma”.
Cultura, sustentabilidade e organização coletiva
Outro painelista, o secretário-executivo do Ministério da Cultura, Alfredo Manevy, ressaltou a importância da economia da cultura na construção de um novo jeito de produzir e consumir no país. “Há poucos anos, durante o regime militar, a diversidade cultural brasileira era vista como um entrave ao desenvolvimento. A ideia, na época, era a de uniformização do território. Hoje, a nossa diversidade se apresenta como parte da solução e nós precisamos utilizar esse potencial”, argumentou.
Na mesma linha, Dowbor reforçou o papel da organização coletiva na pavimentação de um caminho viável para criar formas mais sustentáveis de produção e consumo. “Todos nós que estamos aqui hoje discutindo desenvolvimento local somos essencialmente uns teimosos. Mas é importante a gente ter a dimensão de que atividades como essa estão acontecendo no mundo inteiro”.
Outro aspecto pontuado por Dowbor foi o da sustentabilidade. Na avaliação dele, um processo mais justo de produção e consumo passa, necessariamente, pela mudança de relação do homem com a natureza. “Nós não podemos mais aceitar um modelo de desenvolvimento que· considere os recursos naturais como infinitos sendo que nós vivemos num planeta finito”.
Ladislau lembrou ainda que toda mudança profunda de paradigma passa por um período de negação. “Líderes como Gandhi eram vistos como contraventores. A luta das feministas por igualdade foi duramente ridicularizada e notem que isso aconteceu há pouco tempo”, concluiu.
Fonte: ExpoBrasil
| Índice |
Av. Leonor de Almeida Ribeiro Souto, n° 59 - CEP: 12239-050
Pq. Residencial União - SJCampos - SP
Tel: +55 (12) 3903-9090 - Fax: (12) 3903-9091